o concreto, a poeira, o barulho, o cinza das janelas, os horizontes cobertos e descobertos a cada dia... a cada volta. sob o céu de saigon se vive a dor e a delícia de estar vivo. por estar vivo, entenda estar vivo como estar exposto a todo e qualquer tipo de ventura que um ser vivo é capaz de enfrentar. há dias em que o sol brilha forte, mas há aqueles em que a chuva não cessa nem mesmo do lado de dentro. a sensação é de redescoberta a cada segundo, o que fazia sentido antes, agora pode fazer sentido nenhum. voltas e mais voltas se fazem no caminho que se escolheu trilhar. mesmo parecendo um retrocesso a vida nunca anda para trás. não dá pra voltar aonde estivemos, assim como não adianta acelerar a parte mais chata de viver. a cada céu se faz um novo dia, escurece e amanhece, e o tempo vai se fazendo presente sem você nem sentir que ele passou como um vento que leva as folhas secas do chão. a cada passo, um respirar. a cada fôlego, um recomeçar.
terça-feira, 8 de maio de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
galáxia

promessas pessoais sempre são o primeiro passo. se quer começar algo, pode de cara fazer-se uma promessa. algo como acreditar mais na sua intuição, mas não cair em seu viés temperamental, inconstante e assustador... saber que a cada dia, por menos que pareça, você está aprendendo alguma coisa que pode ser a chave para tudo aquilo que você sempre quis saber. ter instinto significa reconhecê-los como instintos e, portanto, atenção: muitas vezes eles te traem. nenhum segundo é igual ao anterior, nem mesmo o antigo é o mesmo que o novo amor. nada é o mesmo duas vezes na vida. somos ciclos, cíclicos, circos diários que nos ensinam a rir, a chorar e a temer a queda do trapezista. todo dia tem espetáculo. todo dia, tem um espetáculo....o palco é o mesmo, o que muda é o coração do palhaço.
terça-feira, 19 de julho de 2011
ruas e avenidas

os meus passos agora dados por caminhos nunca antes vistos, são largos e apressados. sedentos de conhecer um novo caminho, uma nova paisagem. da janela sempre vejo, seja ela qual for, ou de casa, ou do ônibus, ou dos trilhos de metrô... a cada instante um novo instante de tudo aquilo que restou. é um recomeço. sempre o é. quem não aceita uma nova curva, não sabe realmente quem é.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
despedida

em horas como essa em que todo e qualquer tipo de pensamento assolam a minha mente, eu fico imaginando, e sentindo claro, como é complicado dizer adeus. deixar pra trás tudo aquilo que já foi você um dia é no mínimo doloroso. arriscar-se na ponta do precipício pode ser perigoso para quem ainda tem as asas machucadas do último vôo. mas quem sabe a dor e a delícia de ser feliz é aquele que realmente se arrisca, se joga, chega a beira do precipício e se faz cair suavemente como quem aproveita aquele momento e sabe que lá embaixo além do chão existe um lago profundo no qual você afundará e imediatamente perderá todo o medo de vir a ser o que você ainda não sabe o quê. é preciso ser forte, canalizar os pensamentos pra não deixar que o teu passado atrase teu presente e danifique teu futuro. o adeus dói, machuca, a ti e aos outros. mas se não fosse ele, quando você diria um outro olá?
domingo, 11 de abril de 2010
trâmite

naquela hora em que você desviou o olhar eu senti a fisgada no peito. o chão meio que abriu e eu já não sabia mais para onde direcionar o meu olhar que já não era mais teu. porque você simplesmente o recusou. o meu olhar atento, de quem espera sempre algo mais além do que recebe... o mesmo olhar inquieto de quem por muito tempo achava que não mais poderia olhar daquele jeito. as coisas chegam surpreendendo a alma da gente como o jornal que bate no portão pela manhã... você nunca sabe o momento exato do baque surdo. mas reconhece o barulho quando escuta, sabe que aconteceu... eu sinto de imediato. talvez esse seja o mal maior: sentir tudo de forma muito imediata. os meus sentidos simplesmente fluem, não me deixam fazer a preparação necessária para o que vem depois do baque. e, pior, para o que vem depois do depois. o olhar perdido não sabe para onde ir agora que perdeu o "sentido". eu não sei jogar. eu não sei fazer do jeito que você faz, muito menos do jeito que eu imagino que você espera que eu faça. nessa brincadeira se perdem partes de um todo antes muito estimado e com o tempo, desgastado, maltratado, por toda a sensação do olhar perdido, eu acabo que me perco e não sei se ainda posso me encontrar. tenho medo. mas ele há de passar... falta saber o que vem depois dele. como sempre, eu não saberei antes mesmo que isso seja, antes mesmo que o medo passe e dê lugar ao que um dia eu vou chamar de alívio.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Voar

Não, não tenha medo... Aquilo que te assusta também te provoca arrepios. Apesar de você não saber aonde isso pode dar, lembre-se que, na verdade, você não sabe nem como tudo começou. Frio na barriga, medo de avião. Lá do alto vemos tudo o que acontece. São as nuvens nas quais apoiamos os pés que nos fazem não sentir nada. E ao mesmo tempo, fazem explodir uma profusão de sensações até então desconhecidas. Você me é o oculto. É tudo aquilo que estou prestes a descobrir ao piscar os olhos e perceber que não há nada a temer.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
tic tac

quando eu penso que ainda é cedo, o sol teima em me mostrar que cai a noite e que um outro dia já vai começar. mais uma vez. vai começar tudo de novo: o despertar, o calar, o sorrir, o pensar, o sonhar, o planejar, o acontecer e o deixar de acontecer. quando o tempo não me é claro, quando ele insiste em se esconder atrás de mim como quem diz silenciosamente no meu ouvido "será". ao lado do peso da dúvida, eu tenho a imensa leveza de você. eu não sei, realmente não sei... mas ultimamente ando tão cansado do saber... do medir, do contar, do lembrar e do apontar cada falha, cada momento em que se perdeu um pouco daquilo que era eu. eu mudo a cada hora. a cada pequeno minuto, a cada piscar de olhos tudo muda perante a nós.
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